Pedro das Malas Artes

Era uma vez um casal que tinha oito filhos, mas eram muito pobrezinhos. E aparece lá um dia um homem para lhe comprar uma galinha, mas queria a galinha cozida inteira e com penas.

Mas tinha um filho muito travesso e, quando a galinha estava ao fogo começou a deitar a crista de fora. E o moço pega na faca e corta-lhe a crista e comeu-a. quando vem de lá o homem, vê a galinha sem crista, já não quis a galinha. O pai pega num pau atrás do moço, o moço desaparece. Andou o moço por aí, por esses matos, uma remessa de tempo, já cheio de fome.

Andava metido numa charneca e encontra uma figueira carregada de figos. O pobre do moço dá em comer figos e em criar cornos e ficou todo tapadinho de cornos:

— Então agora é que eu nunca mais vou para casa!

Mas ainda teve sorte. Encontrou um almicoqueiro, deu em comer almicoques, os cornos deram em cair, ficou limpo.

— Agora é que eu estou como quero. Arranjo uma fortuna com os figos e com os almicoques.

Mas tratou logo de arranjar uma canastrinha e encheu a canastrinha de almicoques e de figos. Mas primeiro vendia os figos.

Vai à porta do Rei a vender os figos. Vem de lá a criada, foi dizer ao patrão que estava ali um homem com figos. Mandou logo comprar um prato deles… E, então, o patrão, assim que viu os figos, comeu logo dois. A criada vem para fora e pensou:

— Não, vou também a comer um, senão fico sem, senão [?] não os provo. Aquilo era fora do tempo. A criada o que é que faz? Mete-se debaixo da cama com o corno na testa, já o patrão lá estava, esfuracou-o logo. Lá se ajuntou com o patrão debaixo da cama; (vem) mais tarde, entra a patroa, vê os figos em cima da mesa:

— Eu vou também a comer dois!

Oh! Era uma salada russa debaixo daquela cama… Com que mais a depois (a criada) a patroa empurrava a criada para a criada vir à porta a… ouviram bater à porta… vieram à… para a criada vir fazer as compras. Teve a criada que sair.

Põe uma toalha pela cabeça, vem à porta, um vendendo almicoques. Diz-lhe ele logo:

— Ó menina, que é que lhe acontece? Parece que tem… — ele já sabia, pois ele é que lhe tinha vendido os figos — que é que lhe acontece? Tem um… um nascimento na cabeça.

— Deixe-me aqui, que veio um a vender (alm..), veio um aqui a vender figos e toda a gente está numa desgraça, aí, nesta casa, com a cabeça cheia de cornos.

— Ai, ele há remédio para isso! Coma lá um almicoque, a ver o que é que… se o corno não cai.

Oh! Caiu um logo. Foi para casa, entrou logo para casa, para onde o patrão já a viu limpinha, sem nada na testa.

— Olhe, está um homem ali vendendo almicoques, que é bom para os cornos.

— Manda-o entrar.

Ele entrou com os almicoques enfiados no braço. Assim que ele viu que era o rei, disse logo:

— Eu… ao… ao Rei só vendo (os figos) [ os almicoques], se ele me deixar casar com a filha mais velha.

O rei… o rei disse que sim.

Agora são ricos. Ficou feliz para sempre.

 

Colector: Vasco Afonso 1999, Tavira; informante: Aldina Custódia

Classificação: AaTh 566, Os Três Objectos Mágicos e os Frutos Maravilhosos (Fortunatus)

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