Os Dois Irmãos

Era uma vez dois irmãos que foram correr mundo, era um mais velho e um mais novo.

E o mais novo era muito, muito traquinas, empecia muito com o irmão. Depois o mais velho levou um pão, levava um pão que era para comerem pelo caminho.

E depois onde pararam para comerem o pão, estavam a comer apareceram corvos, depois ele começou a dar miolinhos de pão, para eles comerem e o outro irmão começava a dizer que não, o que ele estava a dar aos pássaros, os miolinhos de pão aos pássaros que lhe desse a ele, e ele dizia:

— Não. Pode ser um dia que eles ajudem a gente.

Depois lá foram percorrendo um caminho foram, foram encontraram, quando se sentaram para comer, apareceram muitas formigas, um formigueiro. E esse mais velho começou a dar miolinhos de pão às formigas também. E o mais novo começou outra vez a se zangar com ele, para não dar os miolos de pão às formigas, o que desse às formigas desse a ele.

E ele dizia:

— Não, que um dia elas podiam ajudar.

Depois lá foram percorrendo o caminho, quando iam já muito longe sentaram-se para comer outra vez, ao pé de um lago, depois estavam peixes, e ele começou também a dar miolinhos de pão aos peixes, e o outro irmão começou outra vez com ele, que os miolos de pão que devia dar aos peixes que lhe desse a ele. E ele disse que não, que um dia os peixes podia ajudar.

Depois foram percorrendo, foram percorrendo, foram para casa de um lavrador, trabalhar lá, e depois o lavrador tinha um cavalo muito mau e ninguém conseguia andar com o cavalo, que era muito rezingão.

Depois diz o irmão mais novo assim um dia:

— Olhe o meu irmão diz que era capaz de amansar o cavalo.

Ora o patrão disse logo:

— Então está bem.

Lá foi chamá-lo.

— Tu tens que amansar o cavalo, o teu irmão diz que és capaz.

E ele dizia que não, que não podia amansar o cavalo. Mas como o patrão mandou, foi, foi-se pôr ao pé do cavalo, e estava todo triste.

Apareceram-lhe os corvos, ao pé, começaram a espenicar o lombo do cavalo e conseguiram amansar o cavalo, (para cá já), quando veio para casa, já vinha a cavalo do cavalo.

Bom, passando tempos, um dia no celeiro, eles tinham muito trigo, e aquilo ficava lá com areia, também lá ao pé, o que é certo é que se derramou umas sacas de trigo e misturou o trigo com a areia.

Diz logo o irmão mais novo para o patrão:

— Olhe, o meu irmão diz que é capaz de escolher o trigo da areia.

Mas o irmão não tinha dito nada, que isso não podia ser, lá o patrão disse:

— Não, o teu irmão disse que tu eras capaz, então tens que fazer. Esta noite tens que tirar o trigo todo da areia.

Bom, toca o irmão todo triste outra vez ao pé do trigo e da areia, quando lhe apareceram as formigas, o que é que ele estava triste – perguntaram-lhe. E ele depois disse que o irmão tinha dito ao patrão que ele era capaz de escolher o trigo da areia. E elas disseram:

— Deixa que a gente ajuda-te, amanhã está tudo escolhido.

De manhã estava o trigo todo de um lado e a areia do outro que elas tinham escolhido.

Bom, passados tempos, quando a mulher do patrão foi à praia e perdeu o anel, lá na praia.

Diz logo o irmão mais novo:

— Olhe o meu irmão é capaz de ir buscar o anel da patroa ao fundo do mar.

E o irmão dizia que não. E o patrão disse:

— Não! o teu irmão diz que tu és capaz então vais.

Depois ele foi, pôs-se ao pé da praia, ao pé do mar e estava a chorar (aparecem— -lhe os peixes) aparecem-lhe os peixes.

“Porque é que ele estava a chorar?” [perguntaram-lhe os peixes].

Depois ele disse que tinha sido o patrão que tinha mandado ele ir buscar o anel da patroa que estava no mar. E depois os peixes disseram-lhe:

— Não chores que a gente vai buscar o anel.

E depois foram.

Depois quando chegou a casa com o anel, o moço depois já não tinha mais bicho nenhum que lhe ajudasse nem nada. Em frente da casa do patrão estava um grande monte de tojos de lenha seca, quando ele depois resolve também a fazer uma parte ao irmão e disse ao patrão:

— Olhe o meu irmão, disse-me que era capaz, se o senhor desse fogo àquele monte de tojos, de apagar o fogo a peidos.

E depois o outro irmão, foram chamá-lo, e o irmão mais novo disse:

— Não, isso não pode ser!

— Pode que tu disseste.

Diz o patrão:

— Então já que disseste podes.

E então deu fogo, deu fogo à lenha que estava lá, mas afinal o irmão mais novo não conseguiu apagar o fogo a peidos, morreu queimado.

 

Colectora: Verónica de Sousa 1997, Stª. Catarina da Fonte do Bispo; informante: Maria Orlandina de Brito

Classificação: AaTh 531, Fernando Verdadeiro e Fernando Falso

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