O João Preguiçoso

Era uma vez um João que era muito preguiçoso. E os outros queriam ir à lenha e ele não queria. Foi lá [um à casa do João] e diz ele assim à mãe:

— Ó ti’ Maria que é do seu João?

— O meu João está deitado.

— Então diga lá a ele se ele quer ir com a gente à lenha.

— Ele não vai.

Mas tanto, tanto foi.

Foi, foi à beira do rio, ele estava lá muito bem sentado, brincando com a água, quando ele caça um peixinho.

Diz-lhe o peixe assim:

— Ai João não me mates que eu sou o rei dos peixes. O que é que queres que eu faça?

— Ora, o que é que eu quero que tu faças... tu vai, arranja-me um feixe de lenha e eu a cavalo do feixe de lenha passo à porta da princesa.

Bom, lá ia o João a cavalo do feixe de lenha aos saltinhos, aos saltinhos. Estava a princesa à janela, diz ela:

— Ai, o João preguiçoso a cavalo do feixe de lenha.

Quando ele vai e diz assim:

— Ó peixinho faz com que a princesa tenha um menino. Ao fim de três dias tenha um menino, e nasça com um papelinho na mão e ninguém o tire se não eu.

Bom assim foi. O rei depois passou parte a toda a banda para irem lá. Quem fosse lá e o menino abrisse a mão casava com ela.

Bom, vai o João, diz ele assim:

— Ó mãe, eu cá vou casar com a princesa.

Diz ela assim:

— Tu, casares com a princesa?

— Sim! Caso com a princesa.

Bom, vai, ora assim que ele entrou lá no quarto, onde estava o menino, ele vai e abriu a manita.

Casou; [a princesa] casou com ele.

Depois estava sempre deitado, mas ele foi e diz ele assim:

— Ó peixinho, agora arranja-me um palácio, com tudo, tudo em ouro; tudo o que estivesse lá, tudo em ouro.

Bom, vai ele, tinha um palácio muito grande, e o pai [o rei] era desses da tropa e foi com os soldados fazerem uma caçada, foi fazer a caçada e depois foi à casa da filha, foi lá quando viu aquele grande luxo.

Bom, depois de comerem, arranjaram o comer e começaram e vai ele antes disso, vai ela lá ao pé do João e diz:

— Ó João, diz ao peixinho que ponha uma colher dentro da algibeira do meu pai.

Bom, assim foi.

Depois no fim, depois de tudo, de tirarem a mesa e fazerem aquilo tudo, as criadas tinham ordem de contar as colheres, quando ela vai e diz assim:

— Minha senhora, falta aqui uma colher no talher.

Bom, foi tudo perguntado, soldados, tudo e foi ele também; quando ele vai e joga a mão, encontrou a colher. Ficou preferindo a não Ter; ai se ele não tinha posto a colher na algibeira.

Vai e diz ela assim:

— Ó pai, não se lembra quando eu tive o menino? Pois conforme eu tive o menino do João, assim a colher foi lá parar à sua algibeira.

— Então, mas então ele, então que é dele?

— Pois ele está deitado, está sempre deitado, tem preguiça.

Diz ele [o rei] assim:

— Então porque é que ele não pede ao peixe para se fazer um homem como os outros?

Depois ele foi lá ao pé dele [do João] e disse:

— Ó João, pede ao peixe que te tire a preguiça!

[O peixe] tirou-lhe a preguiça e acabou-se a história.

 

Colectora: Verónica Sousa 1997, S. Brás de Alportel; informante: Hermínia de Sousa dos Santos

Classificação: AaTh 675, O Rapaz Preguiçoso

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