Revista ELO 2

Index

Nota Introdutória

Currículo de Maria Aliete Galhoz nas Áreas da Literatura Oral e Literatura de Cordel

Depoimentos sobre Maria Aliete Galhoz, Ana Valenciano, Eugénio Lisboa, Hélder Macedo, Ivo de Castro, José Manuel Pedrosa, Manuel Viegas Guerreiro, Manuel da Costa Fontes, Pere Ferré, Samuel G. Armistead, Teresa Rita Lopes

Ecos e Ressonâncias: a Onomatopéia na Literatura Oral, Doralice Fernandes X. Alcoforado

Para el Romance de Abenámar: “Granada, Novia de los Ciudades de al-‑Andalus”, Samuel G. Armistead

La Gramática de los Principios: Primeras Señas de Identidad del Romancero, Nieves Vázquez, Virtudes Atero

Da Fase à Face:Transmutações do Tempo nos Contos Femininos, Isabel Cardigos

Alguns Romances da Tradição Oral de Aljezur, Ana Cristina Carinhas

Um Apontamento sobre o Provérbio na Literatura Portuguesa: a Carta de Guia de Casados de D. Francisco Manuel de Mello, Lucília Chacoto

Uma Nova Versão do Romance A Morte do Rei D. Fernando, Manuel da Costa Fontes

Folklorismus: Indian Folklore and Mass Culture, Jawaharlal Handoo

“E Acabou tudo em Bem”. Sobre uma Versão Algarvia do Romance de Delgadinha, J. J. Dias Marques

El Amor del Soldado: Tradición Románica, Recreación Culta y Pervivencia Moderna de una Seguidilla del Siglo XVII, José Manuel Pedrosa

La Canción de Cuna, Entrecruce de Ritmos, Temas y Motivos. El Ejemplo de una Nana de la Tradición Moderna Andaluza, Pedro M. Piñero Ramirez

Fuentes Paremiológicas Francesas y Españolas en la Primera Mitad del Siglo XIX, Julia Sevilla Muñoz

Capuchinho Vermelho —I: Perrault e a Tradição Oral (em Torno dum Tema de Incesto), Francisco Vaz da Silva


Notas e Revisoes

Isabel Cardigos, Manuel Viegas Guerreiro Textos Lidos na Sessão de Lançamento do Livro de Idália Farinho Custódio e Maria Aliete Farinho Galhoz, Memória Tradicional de Vale Judeu
Isabel Cardigos Bons Ventos de Espanha
Isabel Cardigos Candace Slater, Dance of the Dolphin: Transformations and Disenchantment in the Amazonian Imagination
Isabel Cardigos Marina Warner, From the Beast to the Blonde: On Fairytales and Their Tellers
J. J. Dias Marques Algo de Novo na Frente Oriental
María Jesús Ruiz José Manuel Fraile Gil, El mayo y su fiesta en tierras madrileñas

Resumos

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Ecos e Ressonâncias: a Onomatopéia na Literatura Oral

Doralice Fernandes X. Alcoforado

Este artigo incide na natureza da literatura oral, sublinhando os aspectos prosódicos que formam a natureza literária do texto. Destes aspectos, escolhemos o estudo da onomatopeia, um dos mais expressivos e explorados processos estilísticos do texto oral. Este estudo é ilustrado com exemplos tirados de contos tradicionais recentemente recolhidos no estado da Baía.

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Para el Romance de Abenámar: “Granada, Novia de los Ciudades de al-‑Andalus”

Samuel G. Armistead

O romance de Abenámar evoca Granada através do topos da “cidade-‑noiva”, muito usado na literatura árabe medieval (por exemplo, Abu Tammam, cImad al-Din al-Isfahani, Ibn Jubayr). Uma breve passagem da Rihla de Ibn Battuta (1304-1377), que penso não ter sido lembrada a propósito do romance, qualifica Granada como “capital do al-Andalus e noiva das suas cidades”. A citação sugere que, cerca de 1350, quando se escreveu a Rihla, era já corrente na Espanha muçulmana a metáfora da cidade-noiva aplicada especificamente à cidade de Granada e que, portanto, o romance, que reflecte um acontecimento histórico do ano de 1431, adopta um topos bem estabelecido na tradição regional.

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La Gramática de los Principios: Primeras Señas de Identidad del Romancero

Nieves Vázquez, Virtudes Atero

Estudam-se neste artigo os começos de 432 versões de romances da província de Cádiz (Espanha), recolhidas todas elas no nosso século. Podemos distinguir dois grandes grupos do ponto de vista narrativo: começos pré-‑narrativos e começos narrativos propriamente ditos. Os primeiros adequam-se geralmente às regras do exordio clássico; os segundos, mais numerosos, dividem-se, segundo o modo da enunciação, em começos em discurso directo e indirecto. Enquanto o discurso directo está subordinado ao uso da apóstrofe, o indirecto rege-se pela apresentação codificada das quatro variáveis básicas duma narração, seja ela ou não folclórica (Personagem-Tempo-Lugar-‑Acção) que acabam por constituir verdadeiras “frases feitas”, estruturas organizativas recorrentes, sujeitas a uma gramática precisa. Conclui-se que os começos do texto não se comportam ao acaso mas que, pelo contrário, estão sujeitos a normas precisas, que conferem ao romance os seus primeiros sinais identificadores.

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Da Fase à Face:Transmutações do Tempo nos Contos Femininos

Isabel Cardigos

Para este artigo, os contos maravilhosos de heroína foram considerados a partir de dois modelos: (a) os contos de transformação (revelação) da heroína, tipicamente da fealdade para a beleza (como no AaTh 510B, A Princessa Pele de Burro, ou no AaTh 877, A Velha Esfolada, este classificado commo novelesco mas de características marravilhosas); (b) e os contos de confrontação e vitória com uma rival (como AaTh 480, As Três Laranjas, ou AaTh 403, A Noiva Branca e a Noiva Preta). É sugerido que o modelo de duas rivais é uma modulação do modelo de transformação duma heroína; de facto, os temas de transformação e rivalidade tendem a sobrepor-se na mesma intriga (como em AaTh 510A, Cinderela, ou AaTh 408). O estado de fealdade (de sono ou de mudez) da heroína toma forma, nos contos de rivais, na figura da rival. São considerados três exemplos de modelos de transformação e de rivalidade: A Velha Esfolada, As Três Laranjas e um conto brasileiro em que a protagonista única aparece aos outros como se fosse duas irmãs, porque oscila entre a fealdade e a beleza. Com efeito, tal como neste conto maravilhoso, a transformação é a realidade por detrás da aparência de duas rivais. Por outras palavras, as duas fases da ciclicidade núbil desdobram-se em duas faces rivais: a feia /má, e a bela /boa que — sem e com razão, respectivamente — competem pelo mesmo espaço no leito dda conjunção com um marido.

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Alguns Romances da Tradição Oral de Aljezur

Ana Cristina Carinhas

Aqui se publicam, por extenso ou com aparato crítico, 24 versões de romances tradicionais recolhiidos em 1989 em Aljezur. Aquui pudémos encontrar, nas memórias de alguns, estas pequenas relíquias da tradição oral portuguesa.

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Um Apontamento sobre o Provérbio na Literatura Portuguesa: a Carta de Guia de Casados de D. Francisco Manuel de Mello

Lucília Chacoto

Este artigo pretende ser uma contribuição para a análise dos usos de provérbios na literatura portuguesa. Seleccionámos, por conseguinte, a Carta de Guia de Casados do escritor seiscentista D. Francisco Manuel de Mello. Após uma pesquisa de todos os provérbios citados, propusémo-nos estudar a sua função na referida obra.

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Uma Nova Versão do Romance A Morte do Rei D. Fernando

Manuel da Costa Fontes

A Morte do Rei D. Fernando é um raro romance português (da Madeira e Açores) que combina a Silvana (“í-a”) + Doliente estaba, doliente (“á-o”) + Morir os queredes, padre (“á-a”) + Afuera, afuera, Rodrigo (“á-o”). Os três últimos textos tipos que, em última análise, acabam por derivar do Cantar de la muerte del rey don Fernando e do Cerco de Zamora, estão sem dúvida relacionaddas com um poema de Martín Nucio de 1550. nucio imprime as três baladas na mesma sequência, e ligadas com transições apropriadas e tradicionais. Na tradição portuguesa, os três textos-tipos épicos aparecem numa variedade de combinações. A nova versão apresentada neste artigo é extremamente rara, pois é a segunda a incluí-los todos.

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Folklorismus: Indian Folklore and Mass Culture

Jawaharlal Handoo

Este breve estudo tem como principal objectivo alertar os estudiosos do folclore e da semiótica para as relações entre a crescente cultura de massas indiana (ou folclorismo) e a cultura tradicional. O presente artigo tenta encontrar a estrutura destas relações de uma forma sincrónica. Além de tentar definir os domínios do folclore, urbano ou moderno, e a cultura de massas, com os seus vários domínios que, como é tradicionalmente aceite, se inter-penetram, este texto aponta como exemplos a necessitar de análise importantes áreas da cultura de massas indiana: a estrutura de conto de fadas dos filmes populares indianos, as séries televisivas independentes e os anúncios de produtos de massas. O artigo tenta mostrar a continuidade e a força das metáforas da cultura tradicional no moderno contexto da sociedade industrial indiana.

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“E Acabou tudo em Bem”. Sobre uma Versão Algarvia do Romance de Delgadinha

J. J. Dias Marques

O tema do romance Delgadinha é o dos desígnios dum pai incestuoso sobre a sua filha, Delgadinha, repudiados por esta. O pai prende-a numa torre e recusa dar-lhe água até que ela ceda. Por fim ela morre de sede na torre. Contudo, no corpus de 497 versões por nós examinadas, há 60 versões em que a narrativa é parcialmente transformada (de cinco formas diferentes) de maneira a evitar mencionar o incesto. Em todas estas a morte de Delgadinha (que, em qualquer caso ocorre sempre) é devida à severidade vitoriana do pai.
Contudo, uma versão que recentemente recolhemos no Algarve apresenta não só um começo transformado (o pai aprisiona a filha porque ela ama o criado), mas um final surpreendente. Em vez de morrer, Delgadinha é salva pelo criado. Não nos parece que este fim feliz é apenas o resultado da má memória da informante, mas é sim o produto duma forma mais ou menos consciente de transformar o mundo.
Ao conjugar e relacionar os segmentos narrativos vindos de diferentes tipos do romance Delgadinha, a presente versão consegue um resultado não só perfeitamente lógico como até brilhante.

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El Amor del Soldado: Tradición Románica, Recreación Culta y Pervivencia Moderna de una Seguidilla del Siglo XVII

José Manuel Pedrosa

No Vocabulario de Correas (1627) aparece documentada, pela primeira vez, uma seguidilla sobre a fugacidade do amor dos soldados (“El amor del soldado / no es más de una ora...”), que, nesse mesmo século, foi utilizado e glosado Andrés de Claramonte, Calderón de la Barca e pelo autor dum entremez anónimo. A mesma seguidilla sobreviveu, por vezes como canção ou como provérbio, na tradição oral moderna em castelhano, galego, português e italiano, tendo especial fortuna na América de língua espanhola. O seu sentido foi por vezes ampliado, de modo a alertar contra o amor dos estudantes, dos forasteiros, etc. Além disso, inspirou poetas modernos ou foi por eles recreada ou glosada (Luis Montoto e Juan Luis Cordero, por exemplo).

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La Canción de Cuna, Entrecruce de Ritmos, Temas y Motivos. El Ejemplo de una Nana de la Tradición Moderna Andaluza

Pedro M. Piñero Ramirez

Do reportório de lírica popular recolhido, há anos, em Arcos de la Frontera (Cádiz, Espanha), apresento aqui uma canção de berço, cujo estudo é uma amostra do método de análise que segui para todo o corpus andaluz. Nele se põem em evidência as múltiplas ligações e analogias que, não obstante as diferenças de escolas e épocas, existem entre a lírica actual e a antiga. O refrão é o elemento que torna este texto uma canção de berço, embora as estrofes que a compõem não tenham, em si, tal característica.

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Fuentes Paremiológicas Francesas y Españolas en la Primera Mitad del Siglo XIX

Julia Sevilla Muñoz

Uma das grandes lacunas da Paremiologia comparada francesa e espanhola é a ausência duma bibliografia comentada, do Renascimento aos nossos dias, questão que estamos a tentar resolver com a publicação duma série de estudos bibliográficos. Nestes trabalhos, tomamos como base as obras de Georges Duplessis, José María Sbarbi e Melchor García Moreno.

O presente artigo fornece uma selecção das obras francesas e espanholas do séc. XIX que podem ter interesse paremiológico e paremiográfico; por razões de espaço, limitamo-nos às publicadas até meados desse século.

O percurso seguido conduz a uma série de considerações:

  • A razão das dificuldades da pesquisa bibliográfica neste campo.
  • A existência dum maior interesse paremiológico pelos enunciados sentenciosos.
  • A adopção de critérios diferentes do alfabético para realizar a sistematização paremiográfica.

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Capuchinho Vermelho —I: Perrault e a Tradição Oral (em Torno dum Tema de Incesto)

Francisco Vaz da Silva

Este artigo examina a relação entre Le Petit Chaperon Rouge de Perrault e a tradição oral do Capuchinho Vermelho. O nosso ponto de partida é a afirmação de Paul Delarue de que Perrault ficou próximo da tradição oral do conto AaTh 333, mesmo tendo omitido detalhes cruciais a acrescentado outros pouco importantes. Esta análise pretende mostrar que as "omissões" e "adições" feitas por Perrault são de facto transformações temáticas perante as quais o especialista seguiu cuidadosamente o sentido dos motivos tradicionais no próprio acto de os modificar. A comparação entre o texto literário do séc. XVII e as variantes orais recolhidas por folcloristas modernos revela, de facto, que a hábil manipulação de símbols feita por Perrault se relacionava com uma estranha história de incesto em tons de sangue feminino, centradas num duplo acto de devoração num registo "anti-baptismal", e pensou em termos de apetitte lupino. A revelação deste universo semântico em Le Petit Chaperon Rouge convida a que se leia o texto de Perrault como uma transformação legítima dentro do quadro conceptual dum tema singular constantemente recriado através da diversidade de narrativas tradicionais que — como podemos ver — não podem ser reduzidas ao universo das narrativas orais.

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