Revista ELO 1

Index

O Nome da Menina, Ana Paula Guimarães

Acerca do Romanceiro e Cancioneiro do Algarve de Ataíde, Vanda Anastácio

Pouçot: Conception Orale, Naissance Anale. Une Lecture Psychanalytique du Conte Type 700, Nicole Belmont

A Viagem Mitológica de Ulisses ao Brasil, Edil Silva Costa

El Repertorio Infantil de una Familia Castellana (Segovia—Valladolid), J. M. Fraile Gil, R. Sierra de Grado

Sobre a Tradição Oral Algarvia. 1— Poesia Recolhida na Freguesia de Querença. As Orações, Maria Aliete Dores Galhoz

A Transmissão do Conto, Nuno Júdice

A Escolha entre o Bem e o Mal —Uma Análise de A Nau Catrineta, Maria Santa Vieira Montez

Correspondências folclóricas españolas de la Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente, José Manuel Pedrosa

J. D. Pinto Correia, Os Romances Carolíngios da Tradição Oral Portuguesa , J. J. Dias Marques

A Busca da Poesia Tradicional na Voz e na Memória: A Pesquisa do Romanceiro na Paraíba, Idelette Muzart Fonseca dos Santos

Capuchinho Vermelho em Portugal, Francisco Vaz da Silva

Los Manrique: de Antonio de Trueba al Conde de Barcelos, J. Ramón Prieto Lasa


Notas e Revisoes

Isabel Cardigos Marisa Rey-Henningsen, The World of the Ploughwoman
Olga da Fonseca A Literatura Oral Vai à Escola
Lucília Chacoto Paremia

Resumos

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O Nome da Menina

Ana Paula Guimarães

"O Nome da Menina" celebra o nascimento da ELO, uma revista que se propõe como um "elo" entre aqueles que estudam os elos que constituem a tradição. Para tal, "O Nome da Menina" reflecte sobre nomes, nomes também que nos deeram a nós, os que damos os nomes a todos estes artigos.

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Acerca do Romanceiro e Cancioneiro do Algarve de Ataíde

Vanda Anastácio

Para entender o valor do Romanceiro e Cancioneiro do Algarve de F. X. de Ataíde Oliveira, precisamos de inserir esta colecção no contexto do renovado interesse pela tradição oral moderna no virar do século. A abordagem teórica do romanceiro, profundamente influenciada por Teófilo Braga, é imensamente diferente das idéias contemporâneas ssobre o assunto. No entanto, a relativa fidelidade que ele tem para com os materiais que colige e a sua preocupação em fazer uma recolha exaustiva de todos os documenets relativos ao Algarve tornam esta colectânea numa obra de mérito notável.

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Pouçot: Conception Orale, Naissance Anale. Une Lecture Psychanalytique du Conte Type 700

Nicole Belmont

Difundido por toda a Europa, o conto tipo AaTh 700, Tom Thumb ("O Polegarzito") era um dos raros contos da tradição oral destinado às criançaas. Através do estudo das versões francesas, verificamos que, sob a encenação do nascimento e aventuras do herói, é possível descodificar e, por vezes, ler explicitamente as pulsões infantis orais e anais, cujo enredo e desfecho são narrativizados. Uma comparaçãao com o conto tipo AaTh 720, My mother killed me, my father ate me ("A minha mãe matou-me, o meu pai comeu-me"), permite que venha à luz uma problemática parcialmente comum, se bem que cada uma das narrativas utilize uma linguagem e uma tonalidade distintas.

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A Viagem Mitológica de Ulisses ao Brasil

Edil Silva Costa

Trata-se dum estudo comparativo entre o episódio que, na Odisseia, narra as aventuras de Ulisses na terra dos Ciclopes e um conto recolhido no Nordeste brasileiro, destacando as semelhanças e as diferenças entre os dois textos. É discutida a importância dos mitos e das suas transformações, salientando como o mesmo mito reaparece em ambientes culturais diversos, e como as diferentes formas da sua reemergência são da maior importância para a sua permanência.

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El Repertorio Infantil de una Familia Castellana (Segovia—Valladolid)

J. M. Fraile Gil, R. Sierra de Grado

A poesia tradicional infantil tem sido objecto de pouca atenção ao longo dos tempos. Em Espanha destacam-se dois períodos em que às compilações deste subgénero foi dada maior importância: primeiro, o Século de Ouro e, mais tarde, os finais do séc. XIX e princípios do séc. XX. Hoje em dia, esta literatura é objecto de estudos que a abordam sob um novo prisma. Apresentamos, nesta linha, o repertório-tipo de uma família castelhana do meio rural.

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Sobre a Tradição Oral Algarvia. 1— Poesia Recolhida na Freguesia de Querença. As Orações

Maria Aliete Dores Galhoz

Breve reflexão sobre as orações e os romances-oração contidos na colecção entitulada Tradição Oral Algarvia.I — Poesia Recolhida na Freguesia de Querença. Deixando de lado a perspectiva diacrónica, vamos considerar as formas mnemónicas e formulísticas de algumas orações de protecção: Padre Nosso Pequenino, uma oração da noite, As Tabuínhas de Moisés, uma "oração forte" para ser recitada duma forma extremamente rigorosa e ritualizada, através duma estrita ordem verbal e numérica. É também referido um romance-oração recolhido só no Algarve e que apresenta, em certas versões, formas vestigiais de paralelismo também encontradas nalguns romances líricos.

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A Transmissão do Conto

Nuno Júdice

O facto de os contos tradicionais sereem oralmente transmitidos tem consequências na forma como mantêm, ao longo dos séculos, a sua forma inicial. A sua relativa permanência decorre do facto de, por analogia com a linguagem, eles serem uma estrutura codificada em que não é possível mudar os sinais que cada elemento do conto constitui. As mudanças do conto tradicional afectam pois apenas a superfície narrativa e nunca o conteúdo dos contos.

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A Escolha entre o Bem e o Mal —Uma Análise de A Nau Catrineta

Maria Santa Vieira Montez

Na literatura oral o mar aparece como outro mundo, um espaço de descoberta, o reino do desconhecido para ser conquistado e ultrapassado, um espaço de aventura mas também de morte e de tragédia.

No romance português A Nau Catrineta, o mar é o cenário mítico não só da viagem iniciática do homem mas também da luta entre o Bem e o Mal, os dois poderes que aparecem em toda a tradição popular.

 

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Correspondências folclóricas españolas de la Farsa de Inês Pereira de Gil Vicente

José Manuel Pedrosa

A Farsa de Inês Pereira é uma das obras de Gil Vicente mais próximas da tradição folclórica. O seu episódio final, o da troça que uma mulher adúltera faz do próprio marido, a quqem obriga a levá-la às costas enquanto se ri dele, é semelhante ao de muitos contos portugueses que foram estudados por Manuel Viegas Guerreiro num artigo de 1981. As suas correspondências espanholas, que não eram até agora suficientemente conhecidas, trazem elementos de grande interesse para a comparação com a Farsa vicentina.

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A Busca da Poesia Tradicional na Voz e na Memória: A Pesquisa do Romanceiro na Paraíba

Idelette Muzart Fonseca dos Santos

O corpus de textos pela equipa de pesquisa da Universidade Federal da Paraíba por nós coordenada, testemunha a vitalidade da poesia popular nesta região brasileira. Com os seus objectivos claramente definidos, o Roamnceiro da Paraíba collige romances tradicionais ibéricos e brasileiros assim como cantigas narrativas em vias de serem tradicionalizadas, e temas de romances tradicionais encontrados em folhetos de cordel. Por outras palavras, contém o corpus de cantigas e recitações oralmente transmitidas, bem integradas num todo e desempenhando um papel na identidade memorial da tradição oral da Paraíba. Os critérios de transcrição e edição foram objecto de especial atenção, na medida em que são um meio de construir um novo texto. A pesquisa no romanceiro torna-se, nesta área, numa pesquisa sobre a oralidade viva, definindo a identidade colectiva e partillhando da cultura oral do povo brasileiro.

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Capuchinho Vermelho em Portugal

Francisco Vaz da Silva

Este estudo é o resultado das dificuldades encontradas quando se examina um conto que, à primeira vista, é problemático de várias formas: o narrador anónimo merge numa narrativa dois contos-tipo distintos; confronta e sobrepõe a protagonista principal; lida com um tema "estrangeiro" através de noções profundamente enraizadas na etnografia "portuguesa". Como resultado, a análise levou a uma reavaliação do problemas dos contos-tipo e depois a uma breve pesquisa sobre a relação entre esta narrativa portuguesa, o seu equivalente em Perrault e a tradição oral francesa do conto-tipo AT 333. O resultado desta pesquisa levou à necessidade de modular noções como "nativo" e "estrangeiro" ao lidar com problemas de etnografia portuguesa (ou qualquer outra). Estas questões estão claramente inseridas num contexto mais vasto. Por outro lado, estes problemas sugerem que a possibilidade de compreensão fica truncada se se mantiver a ideia de que esta etnografia pode ser estudada como um universo estanque.

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Los Manrique: de Antonio de Trueba al Conde de Barcelos

J. Ramón Prieto Lasa

A partir de um conjunto de testemunhos, situados entre 1344 (Pedro Afonso, Livro de Linhagens) e 1887 (Antonio de Trueba, Leyendas genealógicas de España), observamos a trajectória dos diferentes componentes de um corpus histórico-lendário referente às origens da linhagem castelhana dos Manriques. Este artigo insiste especialmente na narrativa denominada La antepasada de los Manrique, incluída no Nobiliario de los linages de Castilla de Diego Hernández de Mendoza e noutros tratados genealógicos de finais da Idade Média e recriada por Antonio de Trueba em Los Manrique.

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