[A princesa que não ria]

Era uma vez um rei que tinha uma filha, e ele dizia que quem fizesse rir a filha que casava com ela.

E então vinha[m] muitos rapazes, fazer espectáculos, fazerem coisas ao pé da princesa a ver se a faziam rir, mas não conseguiam.

Um dia um rapaz que guardava gado, um moiral, disse assim para a mãe:

— Eu é que vou fazer rir a filha do rei.

E a mãe disse-lhe assim:

— Estás maluco, alguma vez fazes isso, vêm ali rapazes tão jeitosos e de família rica, pois ninguém a faz rir, fazia-la tu rir, um moiral de gado?

Depois como antigamente havia muitas pulgas, ele arranjou um canudo de cana e encheu-o de pulgas, e levou uma flauta.

E depois foi lá à casa do rei e disse-lhe:

— Eu faço rir a sua filha.

E ele dizia:

— Estás maluco? Alguma vez isso pode ser, ela depois vai mesmo casar com um moiral de gado!?

Bom, ele assim fez, e ele disse:

— Então está bem, então vê lá se consegues fazer rir a minha filha, se a fizeres rir casas com ela.

Ele depois vai, destapa o canudo das pulgas pôs no chão, atirou as pulgas para o chão e começou a tocar a flauta e as pulgas começaram todas a bailar.

Ora a rapariga quando viu aquilo, começou a rir.

Diz ele assim.

— Ai ladrão casa com a minha filha!

Mas como estava outro rapaz ao pé que era assim rico e era jeitoso, disse assim:

— Não. Ainda vamos fazer uma coisa, agora vão dormir os dois com ela, ela no meio e eles os dois de lado, esse que ela voltar, o lado [para] que a minha [filha] se voltar é com esse que ela casa.

Bom, o moiral pensou logo noutra, foi apanhou um cravo e arranjou um besouro, daqueles besouros que cheiravam mal, um besouro daqueles fedorentos e levou.

Bom, lá de noite quando se deitou, pôs o cravo no peito dele e o besouro fedorento no rabo do outro.

Ela voltava-se para o outro era um fedor que não se aguentava, voltava-se para o lado do cabreiro era um cheiro, um cheiro bom, um cheiro a flor. Assim ela casou, sempre casou com o moiral do gado, e não casou com o outro.

 

Colectora: Verónica Sousa 1997, St. Catarina da Fonte do Bispo; informante: Maria Orlandina de Brito

Classificação: AaTh 559, O Escaravelho

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