A Maria vai ao Moinho

Uma mãe que tinha duas filhas. Uma era muito boa e a outra era muito má. E então a mãe gostava era da má, não gostava da boa. Então um dia disse para a filha, para a boa:

– Filha vai preparar o carro, que é para ires ao moinho.

Bem, ela lá foi. Preparou o carro, pôs uma vasilha com água em cima e levou um pão, que era só pão e água que ela levava. Bem, ia andando lá à frente e encontrou o gato. Diz o gato assim:

– Ó Maria onde é que vais?

– Ora, vou ao moinho.

– Então não me levas contigo?

– Pois vem. Olha sobe para cima do carro e vem.

Bom, o gato assim fez, pôs-se em cima do carro e foram andando. Iam andando, andando, encontrou o cão. Diz o cão:

– Ó Maria onde é que vais?

– Ora, vou ao moinho.

– Então, não me levas contigo?

– Pois vem.

Bom, foram os três. Iam chegando já quase ao pé do moinho encontraram o galo. Diz o galo assim:

– Maria onde é que vais tu?

– Ora, vou ao moinho.

– Então, não me levas contigo?

– Pois vem, olha já agora vamos todos.

Bom, pulou para cima do carro, e lá foram todos. Chegaram ao moinho. Ela assim que chegou fez uma grande tachada de papas e os farelos deu ao galo. Todos comeram e encheram a barriga. Bom, foram-se deitar. Naquele moinho havia um lobo, e o lobo a alta noite veio. O lobo começou a bater à porta. Põe-se o lobo:

– Abre-me a porta Maria que eu te como!

Diz ela assim:

– Acode-me gatinho!

O gato assim que ouviu dá um grande salto à porta e começa a arranhar a porta. O lobo ouviu isto e fugiu. Mas o lobo não se deu por vencido, chegou outra vez:

– Abre-me a porta Maria que eu te como!

– Acode-me canito!

O cão assim que ouviu aquilo atirou-se à porta, toca a ladrar à porta. E o lobo fugiu. Bom, depois era já quase madrugada chegou o lobo outra vez a bater à porta:

– Abre-me a porta Maria que eu te como!

– Acode-me galinho!

O galo dá um grande fiaço à porta e pôs-se:

– Cócóro, cócóro.

Bom, o lobo assim que ouviu aquilo fugiu. Mas levou uma bolsa cheia de dinheiro à porta e deixou a bolsa à porta. A Maria no outro dia quando se levantou fez o comer e deu a eles todos e depois veio para o carro. Mas foi olhar para o lado e viu uma bolsa de dinheiro. Portanto vieram todos contentes e cada um foi para o caminho, foram para as suas casas. Bem, chegou a casa contou a história à mãe. A irmã que era muito invejosa disse:

– Ai mãe, olha lá , amanhã vou eu.

– Não filha, tu não vais porque se não o lobo come-te.

– Não come nada mãe, não come.

Bom, e assim fez. No outro dia a irmã da Maria foi. Arranjou o farnel e lá foi no carro. Ia andando pelo caminho e encontrou o gato. Diz o gato assim:

– Ó Maria onde é que vais tu? — ele que julgava que era a mesma Maria ficou— -se.

– Olha o raio do gato! Quer saber onde é que eu vou. Não tens nada com isso.

Bom, o gato foi atrás. Depois, lá à frente encontrou o cão.

– Maria onde é que vais tu?

Ela que não gostava nada de bichos disse:

– Olha o raio do cão, onde é que eu vou! Não tens nada com isso.

Bom, agarrou-se dela e foi andando, e o cão lá foi atrás. Ia andando lá à frente, encontrou um galo. Diz o galo assim:

– Maria onde é que vais tu?

– Olha, ainda agora era o gato, depois o cão e agora é o galo! Não têm nada com isso. Não quero cá ninguém atrás.

Bem, assim foi. Chegou ao moinho, eles atrás dela e ela não lhes ligava. Comeu muito bem descansadinha e eles ficaram todos a olhar. Mais tarde foi-se deitar. Então a alta noite chegou o lobo e começou a dar uns grandes murros à porta e dizia assim:

– Abre-me a porta Maria que eu te como!

– Ai gatinho acode-me!

Diz o gato assim para ela:

– A quem tu deste o comer que te acuda.

E não acudiu. E o lobo toca de bater à porta.

– Abre-me a porta Maria que eu te como!

– Acode-me canito!

– Ai sim?! A quem tu deste o comer que te acuda.

E não acudiu. Depois foi o galo. Diz o lobo:

– Abre-me a porta Maria que eu te como!

– Acode-me galinho!

– A quem tu deste os farelos que te acuda!

O lobo muito marefado arrombou a porta, engoliu a Maria e só deixou o sapato.

 

Colectora: Fátima Martinha Sousa 1998, Faro; informante: Maria da Glória dos Santos Macário

Classificação: 480 B (De-Te)* A Noite com o Gato ou Cão no Castelo Assombrado

Paul Delarue e Marie Louise Ténèze, Le Conte Populaire Français, Paris, Maisonneuve et Larose

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