História do Príncipe Carneiro

Era um casal de rei, o rei e a rainha desejavam ter um filho e não havia maneira. Iam passando já uns quantos anitos e o filho não havia maneira de parecer. Até que a rainha começou a ... pedir a Deus que lhe desse um filho, nem que fosse um carneirinho. E assim, aconteceu. Mais tarde, apareceu grávida e teve um filho, mas era mesmo tal e qual um carneirinho.

Ah ... o rapaz foi crescendo, foi crescendo, mas sempre com aquele feitio de carneirinho. Mais tarde queria casar, mas quem é que queria Príncipe Carneiro (chamavam-lhe Príncipe Carneiro), mas que é que o queria, ninguém o queria.

Ele já ia assiin... já por uma idade avançada, já lá pelos 30 anos. E apareceu uma (els tinham) aias a as criadas, não é verdade, com saias. Uma criada, que era assim mais dedicada e... começou assim, a ter amor pelo rapaz e ele por ela e casaram.

Casaram maneiras que, a mãe e a rainha com uma grande vontade de saber como é que ele tava com a ... (pois... já era mulher na cama), e tentava ir abrir a porta lá dos aposentos mas, ele fechava a porta às chaves. A Rainha ia numa noite, nada. Noutra noite, nada. E outra noite, nada. Com um grande desgosto de não saber... Até que uma vez ele esqueceu-se a fechar a porta e ela foi, quando não foi o espanto dela, pois era um homem como os outros deitado com a senhora e ali ao lado tinha aquela máscara. Ora, ela a ver aquilo pega na máscara e levou-a e fez uma fogueira e pôs aquilo a arder. Aquilo ouviu-se um ... estrondo, um ... ruído, um ... (eu sei lá), uma coisa enorme parece que estremeceu o palácio todo. E o rapaz desapareceu, ninguém mais o viu. Maneiras, chorava ela, chorava a aia era tudo a chorar. Ninguém sabia, ninguém soube nada mais. Então começaram a pensar (naquele tempo não havia telefones, não havia quem participasse notícias, nem nada), começou, começaram a pensar em dar uma recepção aos pobrezinhos. Apareceu por lá muitos pobres, alguns vinham de muito longe e eles davam uma recepção todo o pobre que lá fosse. Mas, tinha que contar uma história (assim uma novidade), (?) a rainha e a nora ficaram a saber.

Maneiras, que um dia aparece um pobrezinho e teve a contari que tinha dito, ia passando num lugar tava sentado debaixo de uma árvore e ouviu uma voz dizer:

— Vai de pão, vai de faca, vai para a quinta da estrada, vai-te para aquela infeliz, que nem solteira, nem viúva, nem casada.

E depois... ele nao viu nada, só ouviu esta voz.

[?] p'ra nesses tempos deu em aparecer lá no jardim do palácio, onde tinham sempre uma mesa, ali umas cadeiras, sempre ali dispostas nas varandas apareceu em cima da mesa, um... pequeno almoço (como é que se chama?) um pequeno manjar, um guardanapo atado nas pontas ... sim com comida: uma faca, um queijo e pão. Maneiras, que todos muito admirados, mas como é que isto aconteceu, mas de onde é que isto veio, mas todos muito admirados. Mais tarde, quando (e o pobre foi muito bem tratado) e a rainha dizia-lhe p'ra ele ver se descobria mais coisas (era a maneira de saberem alguma coisa, p'ra ser por lá). Mais tardi, o pobre veio com outra notícia o mesmo pobre, o pobrezinho que... tinha visto três pombas e um deles trazia um guardanapo no bico e pelo jeito era esse que trazia o guardanapo que ia pôr lá em cima da mesa, era o tal que dizia:

— Vai de pão, vai de faca, vai-te para a quinta da estrada, vai-te para aquela infeliz, que nem solteira, nem viúva, nem casada.

E depois... a princesa, a rainha cada vez iam tando assim, mais animados esperavam por mais notícias ainda.

Um dia quando o pobri vê contar uma [sic] história, tinha tido um sonho que, o [sic] pobre trazia aquela comida tinha mais dois camaradas e se ele conseguisse apanhá-lo que o libertava daquele [sic] castigo, que ele tava a sofrer, daquele [sic) pecado (nem sei como diga).

E lá então, apareciam três pombinhos, lá aquilo tinha ali um repuxo, e os pombinhos, os três apareciam a andar por cima de um tanque e de vez em quando davam assim, um mergulho com a cabeça por dentro da água e voltavam outra vez todos muito contentes e a ... princesa (pois, como era casada com um príncipe chamavam-lhe princesa, outros nora da rainhas, outros aia, enfim), mas, era como era casada com o príncipe, a princesa uma grande vontade de o apanhar, mas não sabia qual era, porque eram os três iguais.

Maneiras que…

— Mas como é que faço isto [sic]?.

Um dia ele jogava a mão a um fugia, jogava a outro fugia, parecia que havia um que deixava chegar com a mão mais ao pé. Ela tão aflita tava com a faca na mão e joga a faca ao peito e fez uma frida no peito e deitou sangue e foi olhar pelos pombos quando vê uma lágrima no canto da vista de um pombo. Ora, joga logo a mão era ele. De maneira, o mau tornou-se num rapaz como era antes tinha quando desapareceu lá da cama.

(E a história do Príncipe Carneiro, não é bonita?)

 

Colectora, Maria José Reis 2001, Tavira; informante, João Domingues Marques

Classificação: AaTh 425 D Em Busca do Marido Desaparecido: *Novas do Marido Desaparecido dadas por um Pedinte

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