Revista ELO 7 / 8

Index

La Ballena del Manzanares o El Barbo de Utero: Testimonios del Cuento Tradicional en el Siglo XIX, Monserrat Amores Garcia

Folk-Lore, Política y Literatura Popular en el Siglo XIX (Cartas Inéditas de A. Machado y Álvarez a Teófilo Braga), Enrique Baltanás

Elevated Inceptions and Popular Outcomes: The Contes of Marie-Catherine d'Aulnoy and Charles Perrault, Ruth B. Bottigheimer

The Woman Warrior — Fact or Tale, Sally Pomme Clayton

Teófilo Braga e Adolfo Coelho — Duas Posições Face aos Irmãos Grimm e à Colecção Kinder- und Hausmärchen, Maria Teresa Cortez

A Morte de D. Beltrão: As Origens Épicas, Garret e a Tradição Brasileira, Manuel da Costa Fontes

Verónica, la Virgen del Espejo y las Tijeras. Leyendas Etiológicas y Rituales de Evocación (Parte I), Alejandro Arturo González Terriza

El Romance de Pliego Dieciochesco El Trigo y El Dinero: Paralelos Literarios y Supervivencias Orales y Modernas, María del Mar Jiménez Montalvo

Portuguese Jocular and Novellistic Tales in Francisco X. de Ataíde Oliveira’s Collection of Folktales from the Algarve, Lise Lynæs

El Romance de La Adúltera en Hispanoamérica. Análisis de Variantes, Paco Mancebo Perales

Quadra Tradicional: Questões de Estrutura e Forma, Carlos Nogueira

Tradiciones Orales y Escritas del Romance de El Prisonero: De la Canción de La Audiencia a la Poesía de Rafael Alberti, Justo Alejo y Antonio Burgos, José Manuel Pedrosa

The Girl and the Wolf in Portuguese Oral Tradition, Francisco Vaz da Silva

In the (Oral) Territory of the Mangie, Mark Bender

Buffalo Bill and the Danish Ogres: An Examination of the Concepts of Ogres and Cavemen, Nathan E. Bender

Shutendôji: Oni with a Righteous Tongue, Noriko T. Reider


Resumos

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La Ballena del Manzanares o El Barbo de Utero: Testimonios del Cuento Tradicional en el Siglo XIX

Monserrat Amores Garcia

São examinadas neste artigo cinco versões do conto-tipo AaTh 1315, A Grande Árvore Confundida com uma Cobra. É um conto jocoso sobre pessoas doutra comunidade, aplicável evidentemente a pessoas de diferentes comunidades. O “outro” adquire conotações particulares em cada versão, variando suprpreendentemente numa delas. Podemos detectar três atitudes diferentes na realaboração deste conto jocoso: uma de troça; outra, distanciada mas paternalista, e uma terceira com a simples exposição do caso.

 

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Folk-Lore, Política y Literatura Popular en el Siglo XIX (Cartas Inéditas de A. Machado y Álvarez a Teófilo Braga)

Enrique Baltanás

Neste artigo publicam-se, editam-se e comentam-se pela primeira vez as cartas enviadas pelo fundador da sociedade El Folk-Lore Español, Antonio Machado y Álvarez, ao ilustre polígrafo e líder português Teófilo Braga, conservadas actualmente na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada (Açores). Através destas treze cartas podemos conhecer mais em detalhe as estreitas relações entre os folcloristas portugueses e espanhóis no século XIX, assim como aprofundar as implicações ideológicas e políticas do inovador conceito de Folclore que ambos partilhavam. No final do artigo inclui-se um Apêndice bibliográfico de temas e autores portugueses nas publicações da sociedade de El Folk-Lore Español.


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Elevated Inceptions and Popular Outcomes: The Contes of Marie-Catherine d'Aulnoy and Charles Perrault

Ruth B. Bottigheimer

Os primeiros contos de fadas de Perrault, versificados — “Les Souhaits Ridicules” e “Peau d’Âne” — deviam tanto à mitologia grega e eram tão elaboradamente barrocos como os de Mme d’Aulnoy. Nos seus contos em prosa, contudo, Perrault substituiu as fadas por deuses e deusas e simplificou tanto o vocabulário como o enredo (movendo-se, por conseguinte, na direcção da narrativa popular existente então na Bibliothèque Bleue), enquanto Mme d’Aulnoy manteve a estrutura complexa e sintaxe elaborada durante toda a sua carreira de escritora. Em termos de moral, as personagens de Mme d’Aulnoy negoceiam pragmaticamente um percurso tortuoso num mundo frequentemente amoral, enquanto que os enredos de Perrault se aproximam mais da moralidade das suas conclusões. A fonte de ambos são os contos de Straparola. (Desde a redacção deste artigo, a autora descobriu elos estruturais e linguísticos inegáveis entre o “Maitre Chat” de perrault e a tradução francesa do séc. XVI do “Constantino Fortunato” de Straparola). Os dois autores diferem um do outro sobretudo no tratamento dos elementos mágicos. Mme d’Aulnoy empregou-os deliberadamente, enquanto Perrault assumiu uma atitude de ingénua aceitação da magia. Em suma, os contos de Perrault eram adequados à sua adopção no mercado popular.

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The Woman Warrior — Fact or Tale

Sally Pomme Clayton

O tema da jovem guerreira aparece em todo o folclore do Médio Oriente e da Ásia Central. Porque é este tema tão popular e o que poderão estas histórias representar? O artigo examina duas épicas túrquicas (um ramo da família de línguas altaicas, incluindo o turco o tatar, etc): Harman Dali, do Turquemenistão; e o conto de Kan Turali, filho de Karli Koja, de Dede Korkut (Otomânia). Baseando-se em evidência histórica e cultural, o artigo examina a relação entre os papeis da mulher guerreira da narrativa, e os papeis atribuídos às mulheres no Médio Oriente e na Ásia Central


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Teófilo Braga e Adolfo Coelho — Duas Posições Face aos Irmãos Grimm e à Colecção Kinder- und Hausmärchen

Maria Teresa Cortez

 

No presente artigo pretendo documentar as diferentes posições assumidas pelos dois fundadores do movimento etnográfico português, Teófilo Braga (1843-1924) e Adolfo Coelho (1847-1919), face ao trabalho de investigação e recolha de contos populares alemães realizado pelos Irmãos Grimm.

Ao longo da sua obra, Teófilo Braga testemunhou repetidamente uma enorme admiração pelos Irmãos Grimm, muito em especial por Jacob, cujo exemplo procurou seguir. Teófilo Braga orientou-se na sua pesquisa pelas teses dos Irmãos Grimm, nomeadamente, pela tese da génese mítica dos contos, e concebeu a sua colecção de contos populares portugueses como recolha etnográfica e livro infantil, na esteira dos Kinder- und Hausmärchen.

A relação de Adolfo Coelho com a obra dos Grimm revela-se bem mais distanciada que a de Teófilo Braga. Adolfo Coelho leu criticamente os principais estudos e recolhas dos dois filólogos alemães, avaliou-os à luz das mais recentes teorias e optou pela publicação em separado de duas colecções de contos populares portugueses ¾ uma mais "científica" e uma outra destinada à leitura por crianças. Curiosa é também a resistência de Adolfo Coelho à tradução de contos da colecção dos Irmãos Grimm para língua portuguesa, que, a seu ver, poderia ser nociva, pois facilitaria a contaminação dos contos populares nacionais.

 

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A Morte de D. Beltrão: As Origens Épicas, Garret e a Tradição Brasileira

Manuel da Costa Fontes

Na Chanson de Roland (c. 1100), canção de gesta sobre a grande derrota da retaguarda do exército de Carlos Magno em Roncesvales, a 15 de Agosto de 778, o imperador faz um grande pranto ao encontrar o corpo do sobrinho, Roldão. A redacção espanhola dessa canção, Roncesvalles (séc. XIII), da qual sobrevive um fragmento de cem versos, adiciona um novo pranto, o do duque Aymon, perante o corpo de Reinaldos, seu filho. Isto corresponde ao romance da Morte de D. Beltrão, onde um pai parte à procura do filho que faltava entre os cavaleiros que o imperador tinha mandado contar, encontrando-o morto. Este romance, raríssimo em Espanha e entre os Sefarditas, continua a ser muito popular em Trás-os-Montes, graças à sua utilização como cantiga da segada. Na primeira versão moderna publicada (1851), Almeida Garrett modifica muito o texto tradicional. O romance português passou ao Brasil, tendo sido recolhido por Celso de Magalhães no Maranhão. Os dois fragmentos que publicou em 1873 são copiados de Garrett, talvez pelo facto de o investigador não ter à mão o seu caderno de recolha, visto que se encontrava em Sergipe. Embora o caderno se tenha perdido, O Famanaz, poema recolhido por Antônio Lopes em 1916, também no Maranhão, comprova que o velho romance se tinha de facto tradicionalizado no Brasil, que é o único país das Américas a conservá-lo, embora com modificações que o actualizam segundo o gosto moderno e o aclimatizam, transformando-o, assim, num poema essencialmente brasileiro.

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Verónica, la Virgen del Espejo y las Tijeras. Leyendas Etiológicas y Rituales de Evocación (Parte I)

Alejandro Arturo González Terriza

Na primeira parte deste artigo examina-se um corpus de lendas, inéditas na sua maioria, relacionadas com um espectro dos espelhos, geralmente chamado Verónica, no folclore espanhol dos nossos dias..

A análise inclui uma perspectiva geral das superstições relacionadas com os espelhos (especialmente a sua relação com o mundo dos mortos) assim como as conotações do nome Verónica. Para lá da diversidade dos testemunhos, é possível detectar a presença duma série de características persistentes que caracterizam estas lendas: a morte prematura duma jovem, a confusão pontual entre espaços que pela ordem natural das coisas deveriam permanecer próximos e relacionados, contudo distintos.

A análise destas lendas, que têm um marcado carácter etiológico, conduz à dos rituais que servem para a evocação deste espírito: análise que ocupará a segunda parte deste artigo, a aparecer no próximo número de Estudos de Literatura Oral.

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El Romance de Pliego Dieciochesco El Trigo y El Dinero: Paralelos Literarios y Supervivencias Orales y Modernas

María del Mar Jiménez Montalvo

El trigo y el dinero foi um dos mais populares romances de folheto do séc. XVIII. Impresso por Sebastián López, o texto relata uma disputa entre as figuras alegóricas do Trigo e do Dinheiro em que, no final, vence o primeiro.

Uma das chaves decisivas para o êxito deste romance foi certamente a recuperação do tema medieval do poder do dinheiro, motivo que debe ter sido muito ao gosto popular, como mostra a sua larga tradição na literatura espanhola; de facto, foi retomado por autores como Juan Ruiz, no seu “Exemplo de la propriedat qu’el dinero ha” do Libro de buen amor, e Francisco de Quevedo, no seu famoso poema “Poderoso caballero es don Dinero”.

Neste estudo analisa-se uma versão oral de El trigo y el dinero recolhida em Terrinches (Ciudad Real) que constitui, pelo seu arcaísmo, um extraordinário exemplo da sobrevivência oral moderna da literatura de cordel.

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Portuguese Jocular and Novellistic Tales in Francisco X. de Ataíde Oliveira’s Collection of Folktales from the Algarve

Lise Lynæs

São discutidos quatro contos populares, jocosos ou novelescos, proveni­entes dos Contos do Algarve de Francisco Xavier Ataíde Oliveira. Apesar de estes contos representarem tipos diferentes e orígens diversas, demonstram uma característica comum na medida em que aparece em todos uma combinatória entre os temas da in­fidelidade sexual feminina e da lealdade e ajuda entre mulheres. Procuramos contextualisar os textos e apresentamos a hipótese de que a combinação destes temas possa reflectir tensões reais de ordem social e religiosa na sociedade.

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El Romance de La Adúltera en Hispanoamérica. Análisis de Variantes

Paco Mancebo Perales

O presente artigo expõe o resultado prático duma análise comparativa, ao nível da intriga, dentro de um amplo e variado corpus hispanoamericano do romance La aúltera. A busca de elementos comuns e distintivos nas 42 versões submetidas a estudo revela a existência de dois tipos do romance. Um corresponde às versões procedentes dos Estados Unidos, México e Nicaragua (tipo 1); o outro engloba os textos recompilados em Cuba, República Dominicana, Porto Rico, Venezuela, Colômbia, Perú, Chile, Argentina e Uruguai (tipo 2). Enquanto o primeiro evoluiu de acordo com o sistema de valores dos seus re-criadores, o segundo manteve-se mais apegado à tradição herdada. Embora ambos os tipos conservem aspectos concomitantes suficientes, especialmente ao nível do significante, de modo a que se possa continuar a falar de um só romance, a presença ou ausência de uma vasta série de motivos comentados cinge-se, com uma precisão surpreendente, aos limites marcados pelos dois tipos.

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Quadra Tradicional: Questões de Estrutura e Forma

Carlos Nogueira

O elevado grau de fluidez da quadra tradicional – que participa da mutabilidade e flexibilidade características de toda a literatura de transmissão oral – faz dela um espaço complexo, movediço e resistente a quadros taxinómicos rígidos ou definitivos. Partindo desse pressuposto, quisemos determinar neste artigo as principais linhas de instabilidade desta forma poética e os seus principais processos de edificação, nos planos estrutural e formal. Procurámos demonstrar que a quadra encerra uma força de conflito decorrente de uma dialéctica de abertura e de fechamento, relacionada com impulsos quer de condensação e fixação quer de intensificação ou derivação de sentidos.

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Tradiciones Orales y Escritas del Romance de El Prisonero: De la Canción de La Audiencia a la Poesía de Rafael Alberti, Justo Alejo y Antonio Burgos

José Manuel Pedrosa

O romance El prisonero encontra-se documentado na literatura hispânica desde começos do séc. XVI, e alguns dos seu tópicos parecem remontar até ao séc. XIII. Neste artigo analisa-se o transvase das suas fórmulas mais características a diversas canções líricas e narrativas recolhidas da tradição oral moderna, as reescritas modernas que do romance fizeram poetas do séc. XX como Rafael Alberti, Justo Alejo e Antonio Burgos, até às contrafacções de tipo político que o romance também conheceu.

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The Girl and the Wolf in Portuguese Oral Tradition

Francisco Vaz da Silva

Este artigo revisita o problema da famosa peça de vestuário de O Capuchinho Vermelho (AT333). Depois de pôr de parte a afirmação de Delarue de que o chaperon rouge é um traço acessório, sem relação com o tema, considera-se a relação entre os textos literários e os folclóricos, assim como o ponto sobre a difusão cultural, para sugerir a necessidade de, no campo do folclore, tomar em linha de conta traduções simbólicas. Ao examinar quer os textos literários quer algumas versões orais de “O Capuchinho Vermelho”, assim como dados que estão fora do âmbito dos contos, sugiro que, através dos séculos e dos géneros, existe um modelo simbólico coerente subjacente ao encontro de lobos com meninas de vermelho.

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In the (Oral) Territory of the Mangie

Mark Bender

Neste artigo o autor explora a figura do ogre no folclore de uma minoria étnica no nordeste da China, os Daur. Mangie são os seres antropomórficos, antropófagos e de muitas cabeças, que parecem estar intimamente relacionados com o Mangus dos Mongóis, uma criatura com características semelhantes. A discussão compara os ogres dos Daur e dos Mongóis, com base nos poemas épicos, nas histórias tradicionais e em descrições feitas por estudiosos.


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Buffalo Bill and the Danish Ogres: An Examination of the Concepts of Ogres and Cavemen

Nathan E. Bender

O conceito de Ogre é apresentado na sua relação com a descoberta e reportagem sobre o Neandartal no séc. XIX. Propõe-se que o conceito vulgar do “Homem das Cavernas” é uma generalização recente do Neandartal, Homo sapiens sapiens primitivo e outros fósseis humanóides. os dois conceitos de Ogre e de Homem das Cavernas estão intimamente relacionados na literatura popular do séc. XX, parecendo ter-se entrecruzado e até fundido. Um dos primeiros livros que mostrou a combinação dos dois conceitos foi o romance em folheto de cordel sobre Buffalo Bill, publicado na Dinamarca, história essa que é examinada neste artigo.

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Shutendôji: Oni with a Righteous Tongue

Noriko T. Reider

Numa das mais famosas lendas de seres demoníacos, o herói guerreiro Minamoto no Raiko (? - 1021) derrota o diabólico oni, Shuten dôji, por manha e engano. Remontada ao Japão medieval, a história sugere que, com a ajuda das divindades os guerreiros podem derrotar até os mais monstruosos vilões. Misto de entertenimento e edificação moral /religiosa, “Shuten dôji” pertence ao género otogi zôshi. Adequadamente ao género, no momento da derrota mortal do demónio, Shuten dôji exclama, “Que tristeza, sacerdotes! Dizeis que não mentis: Não há injustiça nas palavras dos demónios”. Trata-se dum lamento justificado; vindo de um demónio que rapta e come raparigas, parece incongruente e mesmo cândido que um personagem tão diabólico não espere subterfúgios para o derrotar. Ao mesmo tempo a exclamação cria uma súbita mudança de simpatias — de pró-guerreiros para pró-oni — na narração da lenda. Esta transferência detém o fluir da história. Em última análise, põe-se, em termos de um dilema, o problema “até que ponto se pode ser corrupto na demanda de um alvo virtuoso?” Ao examinar o oni, o meu artigo explora o significado da razão de Shuten dôji.

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