Revista ELO 6

Index

Simetrías e Iteraciones Verbales con Función de Marco en Romances Viejos, Giuseppe Di Stefano

Oral Ballads as National Literature: The Reconstruction of Two Norwegian Ballads, Velle Espeland

Os Temas em Galego do Romanceiro Tradicional da Galiza, José Luis Forneiro Pérez

Echoes of Empire: A Remnant of English in the Folk Song of the Balearic Islands, Simon Furey

Typical Inter-Textual Aspects Between Slovenian Folk Song and Contemporary Slovenian Poetry, Marjetka Golež Kaučič

Cancioneiro Tradicional: Questões de Recolha e de Classificação, Carlos Nogueira

Frost-Bitten Foot: Dialogues We Live By, Ana Paula Guimarães, Carlos Augusto Ribeiro

Construcción de un Cancionero y Romancero Efímero en la Corte del III Duque de Calabria, Ignacio López Alemany

Crónicas y Romancero: La Muerte de Alfonso V de León en la Villa de Viseu, Antonio Lorenzo Vélez

Fuentes Paremiológicas Francesas y Españolas en la Segunda Mitad del Siglo XIX, Julia Sevilla Muñoz, Manuel Sevilla Muñoz

Gopher Guts and Army Trucks: The Modern Evolution of Children’s Folk Rhyms, Josepha Sherman


Notas e Revisoes

Walter Brunetto La raccolta antologica Voix d’ Italie e la musica di tradizione orale italiana
Judith R. Cohen Susana Weich-Shahak, in collaboration with Paloma Díaz-Más, Romancero Sefardí de Marruecos. Antología de Tradición Oral
Maria Aliete Dores Galhoz Maria da Ascensão Gonçalves Carvalho Rodrigues, Cancioneiro [da] Cova da Beira, III: Canções Narrativas, Outros Géneros Poéticos e Adenda ao Romanceiro
Ana Cristina M. Lopes José Ruivinho Brazão (coordenador), Os Provérbios Estão Vivos no Algarve
J. J. Dias Marques Novas Colectâneas de Poesia Oral Trasmontana
Carlos Nogueira José Manuel Pedrosa, Cancionero de las Montañas de Liébana (Cantabria)
Jesús Suárez López Ana Valenciano, Romanceiro Xeral de Galicia, I: Os romances tradicionais de Galicia. Catálogo exemplificado dos seus temas

Resumos

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Simetrías e Iteraciones Verbales con Función de Marco en Romances Viejos

Giuseppe Di Stefano

A iteração verbal é um dos recursos mais usados para dar ênfase ao tom e ao sentido de qualquer comunicação linguística. Na poesia popular, é costume adoptar com frequência este recurso para a estrutura do texto, reforçando a eficácia emotiva e estética do discurso. Parente próximo da iteração é a simetria verbal, que estabelece uma forte relação de sentido entre dois termos, por identidade ou por oposição (este último caso não é de modo nenhum raro nos finais, para apresentar a moral do texto). No presente artigo, estuda-se a simetria verbal num corpus de romances velhos espanhóis.

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Oral Ballads as National Literature: The Reconstruction of Two Norwegian Ballads

Velle Espeland

No passado muitos folcloristas estavam igualmente interessados em política cultural. A recolha, a publicação e a pesquisa em cultura popular estavam claramente direccionadas para a construção e suporte duma identidade nacional. Foi assim que a Idade Média se tornou instrumental para a política cultural contemporânea mais do que como objecto de pesquisa histórica.

Moltke Moe, o primeiro professor de folclorística e da linguagem das cantigas populares na Noruega, é considerado o pai da investigação folclorística neste país. Devotou muito do seu tempo à reconstrução das baladas populares norueguesas. São analisadas neste artigo duas das suas reconstruções (A Visão do sonho de Olav Åsteson e A Batalha de Roncesvales). Ambas as reconstruções tornaram-se parte do nosso património cultural.

Embora as suas reconstruções tenham o selo da autoridade profissional, ele acaba por ser muito mais um poeta do que um cientista. Rearranjou a história, criou novas palavras e até construiu do nada estrofes inteiras. O seu objectivo era que estas baladas estabelecessem uma ligação entre a Idade Média e o seu tempo, para que os noruegueses se orgulhassem do seu património.


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Os Temas em Galego do Romanceiro Tradicional da Galiza

José Luis Forneiro Pérez

Desde a década de 60 que se considera literatura galega apenas a que está expressa em galego. Mas este critério linguístico não pode ser extrapolado para a literatura popular, nomeadamente para o romanceiro tradicional da Galiza, que conservou grande parte do seu castelhanismo linguístico original. A maioria dos romances galegos são bilingues em maior ou menor medida, e os romances monolingues em língua castelhana ou galega são, em geral, raros ou apresentam deficiências na sua tradicionalidade, quer no nível da expressão, quer no nível do conteúdo. Os escassos romances que se recolheram sempre na língua autóctone ou são importações raras, relativamente recentes, da tradição trasmontana, ou então são temas jocosos ou pastoris. A identificação da língua galega com estes últimos assuntos mostra que as classes populares galegas adoptaram das camadas altas a associação entre o galego e os registos linguísticos mais baixos.


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Echoes of Empire: A Remnant of English in the Folk Song of the Balearic Islands

Simon Furey

O trabalho levado a cabo na Abadia de Monserrat pelo Padre Josep massot i Muntaner, publicando materiais da obra do cancioneiro popular da Catalunha continua a dar-nos frutos fascinantes. O volume VIII, publicado em 1998, contém a única instância conhecida até hoje duma cantiga em inglês macarronico. Este breve artigo defende que a cantiga data do tempo da ocupação britânica de Minorca no séc. XVIII.

 

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Typical Inter-Textual Aspects Between Slovenian Folk Song and Contemporary Slovenian Poetry

Marjetka Golež Kaučič

Na primeira parte do artigo, a autora apresenta a pesquisa que a levou a constatar que uma larga faixa de poetas eslovenos entre 1958 e 1990 colheram a sua inspiração da forma ou conteudo de específicas canções populares. A autora discute a forma e processos desta conexão, e prossegue apresentando os fenómenos mais significativos da interacção entre a arte popular e a contemporânea no trabalho de dois poetas eslovenos contemporâneos, Veno Taufer e Gregor Strniša; vão estes desde pequenos “toques populares” a totais concatenações intertextuais. Usando a teoria da intertextualidade, apresenta duas concatenações intertextuais que começam com uma balada como tema básico. São elas Galjot [O Galeote] and Godec pred peklom [O Rabequista diante do Inferno], que analisa em detalhe, identificando as mudanças que sofreu o texto original na nova apresentação de poesia original. A última constatação é que a canção popular, particularmente a balada, é, tradicional e historicamente, o canon mais familiar, permitindo aos criadores de poesia contemporânea o uso dos seus motivos, temas, fórmulas, citações e estruturas formais para desencadearem as suas próprias verdades, as suas próprias percepções no seu mundo íntimo e no mundo alargado; e pondo em circulação as suas próprias ideias, conceitos e sentidos mais profundos nos circuitos culturais, criando assim novas condições para novos valores e novas qualidades estéticas.


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Cancioneiro Tradicional: Questões de Recolha e de Classificação

Carlos Nogueira

Neste estudo, reflectimos sobre os critérios de recolha e de classificação do acervo de cancioneiro tradicional reunido por nós no concelho de Baião (distrito do Porto). Etapas fundamentais na constituição de um cancioneiro, são frequentemente sujeitas a erros que desvirtuam o produto final. Comentámos por isso os processos seguidos por alguns investigadores do folclore literário português, que, ao adoptarem metodologias desadequadas, deturparam a objectividade dos seus trabalhos. Com efeito, para além de incorrecções no sistema de classificação, vários autores alteraram a genuinidade de alguns originais, prejudicando assim a cientificidade da sua obra.

Em relação à recolha, que comporta os registos escrito e electrónico (gravação sonora e audio-visual), a nossa experiência mostrou-nos que o próprio comportamento do intérprete e dos ouvintes, os comentários de agrado ou desaprovação e as correcções consideradas oportunas constituem valiosas informações para a compreensão do fenómeno poético oral.

Na classificação do material reunido, estabelecemos como prioridades o emprego de rigorosos critérios temáticos, funcionais (de modo a evitar-se quer a escassez quer a repetição de rubricas e sub-rubricas), alfabéticos e numéricos.


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Frost-Bitten Foot: Dialogues We Live By

Ana Paula Guimarães, Carlos Augusto Ribeiro

Ao comparar versões portuguesas e brasileiras de “A Formiguinha e a Neve” (Thompson motivo Z.42: “Stronger and Strongest”: frost-bitten foot” / tipo AaTh 2031, Stronger and Strongest) e inserindo nos nossos passos um texto do Panchatantra (“A história da ratinha”), rumo à interpretação desta história aparentemente simples e infantil, propusémo-nos avançar algumas notas sobre dois tópicos particulares: um relacionado com a linguagem (o quarto passo do nosso artigo); e outro com a filosofia do ambiente (o sétimo passo do nosso artigo).


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Construcción de un Cancionero y Romancero Efímero en la Corte del III Duque de Calabria

Ignacio López Alemany

Entre 1525 e 1538, a corte dos duques da Calábria (Fernando de Aragão e Germana de Foix) conheceu um período de esplendor literário e musical que não mais se voltaria a repetir numa corte espanhola não pertencente à Coroa.

Alguns dos maiores músicos e escritores deste período viveram sob os auspícios de ambos os vice-reis de Valência, e muitos outros beneficiaram ocasionalmente do mecenato do terceiro duque da Calábria.

Tal ambiente literário-musical, juntamente com o gosto da rainha viúva de Fernando I, o Católico, Germana de Foix, pelas festas, saraus e celebrações ao gosto francês favoreceram a paulatina criação duma literatura cortesã de carácter efémero e de circunstância, baseada na recuperação, para os salões, dos populares romances e da lírica de tipo tradicional.

Neste tipo de literatura tão extremamente volátil, destacaram-se os poetas valencianos Luis Milán e Joan Fernández de Heredia, artífices dum género de composições poéticas destinadas a dissolver-se entre as gargalhadas dos homens do palácio de Liria.

 

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Crónicas y Romancero: La Muerte de Alfonso V de León en la Villa de Viseu

Antonio Lorenzo Vélez

Neste artigo, dão-se a conhecer duas versões (recolhidas da tradição oral na região de Las Hurdes, Cáceres, Espanha) dum romance de que não tinhamos notícia nem paralelos nas colecções romancísticas antigas ou modernas. O romance recria alguns episódios da morte do rei Afonso V de Leão, devido aos ferimentos produzidos por uma seta, na cidade de Viseu, em 1028. As primeiras referências a estes factos encontram-se nas primitivas crónicas asturiano-leonesas da primeira metade do séc. XII e notícias sobre eles aparecem também nos sécs. XIV, XV e XVI.

O romance parece fruto dum refundidor tardio que, inspirando-se em factos históricos que conhecia, escreveu um romance, que conseguiu entrar na tradição oral de Las Hurdes, embora de modo fragmentário e mostrando acentuada debilidade narrativa. A visita de Afonso XIII à região em 1922, e a coincidência entre o seu nome e o do protagonista do romance, favoreceu, talvez, uma reactualização deste, permitindo-nos conhecer as recordações longínquas em que se inspira.

 

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Fuentes Paremiológicas Francesas y Españolas en la Segunda Mitad del Siglo XIX

Julia Sevilla Muñoz, Manuel Sevilla Muñoz

Na linha de Geoges Duplessis (Bibliographie parémiologique, 1846), José María Sbarbi (Monografía sobre los refranes, adagios y proverbios castellanos, 1891) e Melchor García Morena (Catálogo paremiológico, 1918, e Apéndice al Catálogo paremiológico, 1948), apresentamos neste artigo uma selecção comentada das obras paremiográficas e paremiológicas francesas e espanholas da segunda metade do séc. XIX, na sua maioria publicadas em Espanha e em França; algumas foram-no em Portugal, na Alemanha e em Itália.

O nosso objectivo é contribuir para colmatar uma grande lacuna da Paremiologia comparada francesa e espanhola: a falta duma bibliografia comentada do Renascimento aos nossos dias.

 

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Gopher Guts and Army Trucks: The Modern Evolution of Children’s Folk Rhyms

Josepha Sherman

O objectivo deste artigo é mostrar que, enquanto do ponto de vista formal, as rimas infantis norte-americanas permanecem fundamentalmente iguais ao longo de todo o país, o seu conteúdo tem-se alterado continuamente, mostrando a percepção que as crianças possuem das mudanças culturais e sociais, e que, portanto, as rimas infantis constituem um aspecto vital e vivo do folclore. Note-se que não estamos em presença dum subgénero estritamente norte-americano, já que as rimas infantis têm sido recolhidas por outros folcloristas desde a Europa até à a Ásia e à Austrália. Embora algumas das que aqui estudamos sejam talvez especificamente norte-americanas, outras sem dúvida que possuem paralelos em vários países.


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